quarta-feira, 30 de julho de 2014

Um voto de confiança

O ano era 1995. Eu, do alto dos meus 12 anos, assistia ao Grêmio, meu time, ser campeão da América. Paulo Nunes, Jardel, Danrlei, Arce e Arílson. Que cano! Todos comandados por um cara que se tornou, à época, meu ídolo. O nome dele: Luiz Felipe Scolari.

Por uma dessas preferências que a gente não entende bem o motivo, sempre achei o Luxemburgo mais técnico que o Felipão. Vai entender. Mas, confesso, ver Scolari, dentro do Olímpico, dar um soco no adversário boçal, me fez delirar. Ninguém se criava para cima do Grêmio. Éramos odiados por todos e ganhávamos tudo. Um grande momento para ser criança ou adolescente gremista. Copa do Brasil, Libertadores, Gauchao, Recopa e Brasileirão. Campeões! Só não fomos do mundo, contra o poderoso Ajax, porque Rivarola foi expulso pelo telão e Jardel perdeu gol que nunca perdeu na vida. Jogamos melhor, apesar do medo. Duvida? Van Gaal, me ajude, por favor.

Felipão saiu do Grêmio em 1996. Rodou o mundo, ganhou outra Libertadores com o Palmeiras e foi campeão do mundo com a seleção brasileira, em 2002. Naquela Copa eu torci fervorosamente pelo Brasil. Por causa dele. Do Scolari deles, do nosso Felipão. Depois, ele fez eu torcer pela seleção portuguesa como se fosse o Grêmio. Uma pena a Euro de 2004.

Por anos, enquanto amontoávamos treinadores fracos em nossa casamata, nutri o desejo de ver Felipão com o uniforme tricolor mais uma vez. Mas isso, um dia, passou. Depois de suas fracas passagens pelo Uzbequistão e pelo Palmeiras (mesmo com o título da Copa da Brasil) a química acabou. Quando voltou para a seleção, eu já cravava: Felipão? Esse cara é um embuste. Principalmente como gremista. Passei a ter preguiça dele. Depois do episódio Dona Lúcia então...

A carreira de Felipão é brilhante - e não será a goleada da Alemanha que vai mudar isso. Particularmente, agora, eu não o teria trazido para o Grêmio. Embora não goste muito dele, era o momento de outra volta, a de Tite. Mas o pastor quer treinar na Europa. Quem seria, então, o meu escolhido? Faria uma aposta e colocaria o loco Lisca no comando tricolor. Sabendo que a direção não faria isso, e entre as opções disponíveis, Felipão é a melhor. Sem sombra de dúvidas. Antes ele que Ney Franco ou Dorival Júnior. Além disso, só existe um homem capaz de fazer, digamos, uma aposta desse porte. Ele se chama Fábio André Koff, o sujeito que poderia bancar, sozinho, contra a torcida, até uma possível volta de Ronaldinho. 

Não estou com a empolgação que boa parte da torcida gremista está. Entretanto, devo confessar, impossível não se emocionar ou abrir um sorriso ao ver o bigodudo com a manta tricolor enrolada no pescoço. O Grêmio precisava de uma sacudida desse nível. As paixões, hoje doídas, se reencontram para curar feridas e, mais uma vez, serem felizes. Posso não acreditar muito nisso, mas respeito o véio. E, apesar de não ser mais o ídolo de anos atrás, ele é merecedor de um voto de confiança. Sempre.

Boa sorte, Felipão.



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