Lembro muito bem da primeira lembrança alegre que o Grêmio me proporcionou: sábado, 2 de setembro de 1989. Gol do Cuca, aos sete do segundo tempo, contra o Sport, no Olímpico, em Porto Alegre. Comemorei na sala de TV da casa da minha vó. Tricolor campeão da primeira Copa do Brasil.
De lá pra cá eu já vi o Grêmio fazer muita coisa. Ah, já vi. Já vi, por exemplo, o Grêmio ganhar uma Libertadores e, nos pênaltis, perder um título mundial para o Ajax, da Holanda. Naquele dia, também, vi Dinho e Arce errarem os únicos pênaltis de suas vidas tricolores. Vi, no estádio, o Grêmio tocar cinco em um dos tantos Palmeiras Parmalat. Vi duas vezes a segunda divisão. Vi Somália de centroavante e Jardel empilhando gol. Vi tomar seis do Goiás e tocar sete no Figueirense. Vi tomar quatro da Anapolina e vi massacrar o Corinthians, em 2001, em um Morumbi abarrotado de gente. Na casamata vi Felipão e vi Sebastião Lazaroni. Vibrei com um único gol do Loco Abreu em sua curta passagem e vi Ronaldinho ser banco do Itaqui. Vi Paulo Egídio e vi Lipatín. Vi Christian - Jesus Christian, Deus Negro Tricolor - ganhar um GreNal no Beira-rio e vi Fabiano, o cachaça, acabar com a carreira do zagueiro Luciano dentro do Olímpico. Vi títulos e vi fiascos. Vi gol do Nildo Bigode narrado pelo Osmar Santos e gol do Zé Afonso narrado por Galvão Bueno. Vi Dener e vi Luiz Fernando. Quem? Exatamente. Vi e convivi com Cuca, Astengo e Cristóvão. Vi e não convivi com Ayupe, Fabinho e Gilson Cabeção. Vi vitórias e vi derrotas. Vi, sobretudo, minha paixão crescer.
Vi Danrlei, Arce, Rivarola, Adilson e Roger; Dinho, Goiano, Carlos Miguel e Arílson; Paulo Nunes e Jardel. Vi meu amor explodir em orgulho. Vi, com 13 anos, o Grêmio, em 1996, ser campeão brasileiro e me proporcionar (até hoje) a maior emoção que eu tive como torcedor.
Vi baile. Vi Grêmio 5 x 0 Inter. Vi - e senti - a alma do Estádio Olímpico e vejo a bela Arena.
Já sorri e já chorei. E, por um período, confesso, abandonei. Não tinha saco. Ah, como eu gostaria de ainda ter aquela infinidade de camisetas tricolores dos anos 80 que eu tinha e, nessa época, se perderam. Um dia, Grêmio. Um dia...
Não vi, no entanto, cada vez mais pesquiso sobre Cejas, Milton, Airton, Ortunho, João Severiano, Joãozinho, Babá, Alcindo Bugre, Lara, Eurico, Corbo, Tadeu Ricci, Baltazar, Caio, Ancheta, Zequinha, André Catimba, Vieira, Juarez, Lara, Jorge Tabajara, Alexandre Tubarão, Tarciso, Foguinho, Tesourinha, Baidek, Ênio Rodrigues, Luiz Carvalho, Gomes, Gessy, Everaldo, De León, Jurandir, Ortiz, Loivo, Marcos Severo, Jorge Veras, Oberdan, Volmir, Albeneir e tantos outros da história azul, preta e branca.
Mas ainda vi mais. Sim, eu vi. Vi o Grêmio quase ser campeão de uma Libertadores com Tuta de centroavante e ser campeão gaúcho com um gol do Pedro Júnior. Vi Renato e vi Celso Roth no comando. Vi Valdo e vi Bruno Soneca. Vi eliminação contra o XV de Campo Bom e título no Marcanã com 97 mil contra o Flamengo de Romário.
Ainda não vi tudo. Continuarei vendo. Mesmo que, meus míopes olhos aconselhem a não perder mais tempo com isso. Por mais que, às vezes, eles pareçam estar com a razão, tenho certeza, o Grêmio nunca é perda de tempo. Há, provavelmente, 15 anos não vejo um título grande, mas tenho certeza absoluta que, logo, vou ver. Se ele não acontecer logo? Ou se não vier nos próximos 15 anos? Não importa. Continuarei vendo o meu tricolor e, por mais que em algumas ocasiões isso não faça sentido nenhum, ver o Grêmio, para mim, é a única coisa fundamental do futebol.
Parabéns, meu querido e amado Porto Alegrense.






