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sábado, 15 de agosto de 2015

TVE Repórter - Estádio Olímpico Monumental



Eu me esqueço e tenho preguiça, confesso, de postar neste blog. Mas, vez ou outra, vejo (ou lembro de) algo e penso:
- Isso ficaria legal lá no meu blog sobre o Grêmio.
E foi o que aconteceu quando vi a reportagem da TVE que está nos vídeos. É sobre o nosso querido estádio Olímpico. A edição é péssima, mas tem depoimentos legais de grandes ídolos da história tricolor. Vale a pena assistir e guardar.




quarta-feira, 30 de julho de 2014

Um voto de confiança

O ano era 1995. Eu, do alto dos meus 12 anos, assistia ao Grêmio, meu time, ser campeão da América. Paulo Nunes, Jardel, Danrlei, Arce e Arílson. Que cano! Todos comandados por um cara que se tornou, à época, meu ídolo. O nome dele: Luiz Felipe Scolari.

Por uma dessas preferências que a gente não entende bem o motivo, sempre achei o Luxemburgo mais técnico que o Felipão. Vai entender. Mas, confesso, ver Scolari, dentro do Olímpico, dar um soco no adversário boçal, me fez delirar. Ninguém se criava para cima do Grêmio. Éramos odiados por todos e ganhávamos tudo. Um grande momento para ser criança ou adolescente gremista. Copa do Brasil, Libertadores, Gauchao, Recopa e Brasileirão. Campeões! Só não fomos do mundo, contra o poderoso Ajax, porque Rivarola foi expulso pelo telão e Jardel perdeu gol que nunca perdeu na vida. Jogamos melhor, apesar do medo. Duvida? Van Gaal, me ajude, por favor.

Felipão saiu do Grêmio em 1996. Rodou o mundo, ganhou outra Libertadores com o Palmeiras e foi campeão do mundo com a seleção brasileira, em 2002. Naquela Copa eu torci fervorosamente pelo Brasil. Por causa dele. Do Scolari deles, do nosso Felipão. Depois, ele fez eu torcer pela seleção portuguesa como se fosse o Grêmio. Uma pena a Euro de 2004.

Por anos, enquanto amontoávamos treinadores fracos em nossa casamata, nutri o desejo de ver Felipão com o uniforme tricolor mais uma vez. Mas isso, um dia, passou. Depois de suas fracas passagens pelo Uzbequistão e pelo Palmeiras (mesmo com o título da Copa da Brasil) a química acabou. Quando voltou para a seleção, eu já cravava: Felipão? Esse cara é um embuste. Principalmente como gremista. Passei a ter preguiça dele. Depois do episódio Dona Lúcia então...

A carreira de Felipão é brilhante - e não será a goleada da Alemanha que vai mudar isso. Particularmente, agora, eu não o teria trazido para o Grêmio. Embora não goste muito dele, era o momento de outra volta, a de Tite. Mas o pastor quer treinar na Europa. Quem seria, então, o meu escolhido? Faria uma aposta e colocaria o loco Lisca no comando tricolor. Sabendo que a direção não faria isso, e entre as opções disponíveis, Felipão é a melhor. Sem sombra de dúvidas. Antes ele que Ney Franco ou Dorival Júnior. Além disso, só existe um homem capaz de fazer, digamos, uma aposta desse porte. Ele se chama Fábio André Koff, o sujeito que poderia bancar, sozinho, contra a torcida, até uma possível volta de Ronaldinho. 

Não estou com a empolgação que boa parte da torcida gremista está. Entretanto, devo confessar, impossível não se emocionar ou abrir um sorriso ao ver o bigodudo com a manta tricolor enrolada no pescoço. O Grêmio precisava de uma sacudida desse nível. As paixões, hoje doídas, se reencontram para curar feridas e, mais uma vez, serem felizes. Posso não acreditar muito nisso, mas respeito o véio. E, apesar de não ser mais o ídolo de anos atrás, ele é merecedor de um voto de confiança. Sempre.

Boa sorte, Felipão.



sábado, 26 de outubro de 2013

A camiseta

Era uma bela camiseta
Corria o ano de 1995 e, ao contrário do que se passou depois, esse era um bom momento para ser uma criança gremista. Tu não escutavas gozação e, a qualquer dia da semana, estavas vibrando com alguma vitória tricolor. No colégio então, nas peladas do recreio, era uma barbadinha. Só colocar uma camiseta e pronto: tu viravas o Jardel, o Paulo Nunes ou, até mesmo, o Arílson (por que não?). Todos usavam suas belas camisetas tricolores; aquele azul claro bonito, o distintivo em relevo (tinha que estar em relevo, senão não era original). Menos eu. Eu usava uma camiseta reserva; branca, número 10. Ela era de 93, Dener era o 10.
Naquele ano, entrei na metade do semestre no colégio São Pedro. Isso é sempre horrível porque não conheces ninguém e, para uma criança tímida feito eu, fazer amizades não era a coisa mais fácil do mundo. Entretanto, o futebol sempre ajuda. Ironicamente, a primeira amizade que eu fiz foi com um colorado, o Thiagão. E um dia ele me deu a letra:
- Ô, meu. Amanhã a gente vai jogar bola. Vem com a camiseta do teu time. Tu é gremista ou colorado?
Respondi, ele riu e me falou pra eu colocar a camiseta e aparecer no colégio na parte da tarde. Maravilha. Naquela época, antes do cigarro entrar na minha vida, eu ainda jogava relativamente bem e acho que isso seria um bom momento para angariar algumas amizades. O problema todo seria a camiseta. Como eu ia aparecer com aquela camiseta de 1993? Certo que iam me perguntar onde estava o emblema em relevo. Eu precisava bolar uma boa história, caso me perguntassem alguma coisa. A alternativa foi dizer que aquela camiseta foi o último presente que o meu pai tinha dado antes de falir. Mas não deu tempo para essa bobagem.
Logo que cheguei ao colégio, começaram as piadas dando conta de que a minha camiseta era falsificada, que eu tinha achado jogada na Farrapos ou que eu roubei de um travesti lá na Voluntários. Eu era tímido, lembra? Então eu não respondi, apenas sorri e fui jogar bola. Mas eu já era da turma. A camiseta fez isso. Joguei bem, fiz três gols e, a partir daquele dia fiquei conhecido como o Zumbi camelô. Zumbi, por causa das minhas olheiras e camelô, por causa da camiseta. Esse apelido durou um bom tempo, até eu ganhar a camiseta oficial de 95. ganhei da minha vó e da minha tia. Elas já tinham dito que iam me dar e, um dia antes do meu aniversário, fui deitar pensando que tinha que ser a sete ou a 16. Ganhei a seis, do Roger. Sim, grande lateral, é verdade. Mas veja, eu queria fazer gols e, com a camiseta de lateral esquerdo, eu não ia fazer muitos gols. Continuei usando a “falsificada”. Usei aquela camiseta até o dia seguinte, após o Grêmio perder para o Ajax, quando berraram pra mim na rua:
- Além de perder, usa camiseta comprada no camelô?
Assim que cheguei em casa, ela foi aposentada. Passei a usar a do Roger e minha temporada de futebol no colégio foi um horror. Meu futebol só melhorou quando ganhei uma nova, mas essa, de centroavante. Do Clóvis. Aquele do golaço contra o Corinthians. Que alegria. Pensando bem, nem melhorou tanto assim.