Se eu fosse depender do Grêmio atual para ressuscitar este blog, ele continuaria nas profundezas da internet. Ok, o time está bem na Libertadores e mais ou menos no campeonato Gaúcho. Entretanto, já estou calejado quanto a campanhas promissoras na Copa dos campeões (e tantos outros não campeões) da América. E o Gauchão? Bem, ninguém aqui é palhaço para ficar escrevendo sobre campeonato estadual, né? Mas é bom que se diga: ganhem o título. Torcedor, não fanático.
Para ser sincero, nem lembrava mais que eu tinha esse blog. Contudo, um filme perdido nos favoritos do Google Chrome me fez ter ânimo para continuar com esse espaço. A película foi produzida pelo Grêmio do Prata e fala sobre o título da Libertadores de 1983. Com depoimentos de De León, Mazarópi e Tarciso; é um dos documentos mais legais que já assisti sobre a primeira grande conquista tricolor. Mesmo tendo a participação do China. Uma alfinetada simpática e sem sentido. Voltei.
Dia de festa. Comemoração dos 30 anos da primeira conquista da Libertadores.Tudo lindo na Arena tricolor.
Aliás, antes de falar do jogo que aconteceu após a festa,
foco em como foi emocionante ver o elenco de 1983 entrar no gramado e ser ovacionado pela torcida. Só senti falta
do capitão Hugo De León que não deve ter ido por estar meio puto com o
presidente Fábio Koff. Segundo a – pouco confiável – imprensa esportiva gaúcha, Koff
teria prometido um cargo para o uruguaio no Grêmio, mas não cumpriu. Acho pouco
provável, mas vai saber. Ontem, em entrevista a rádio Gaúcha, China disse que o
eterno capitão encontrou os outros jogadores no hotel.
Outro destaque foi o cabelo do Mazarópi. Estilo Alcindo: comprido/careca.
Sensacional.
Aconteceu ainda a prisão do “Gaúcho da Geral”.
A BM resolveu tirá-lo de campo porquê o sujeito estava com a bandeira do Rio
Grande em uma muleta (!?). Depois de uma confusão entre BM e Geral, ele foi
retirado da arquibancada. Depois, os torcedores se revoltaram com a agressão
gratuita que o cara sofreu. A Brigada desmentiu, mas esse vídeo prova o absurdo
acontecido:
Não vou perder meu tempo comentando bobagens ditas por
jornalistas como Nando Gross, Wianey Carlet e Kenny Braga. Muito menos, por
figuras do quilate de Neto e Osmar de Oliveira, que querem punição para o
Grêmio, mas não para os corintianos que mataram Kevin Espada.
Só espero que nossa direção resolva isso e que não sejamos
punidos de forma ridícula por algo que não aconteceu.
O jogo
O Grêmio pegou um Fluminense desfalcado de Fred, seu
principal jogador. A princípio, isso facilitaria tudo, mas, no primeiro tempo,
a coisa não foi bem assim. O tricolor carioca dominou as ações e foi dono do
jogo nos 45 minutos iniciais. Apesar de duas bolas na trave, o Grêmio não jogou
nada. Mais uma vez, parecia o time do Luxemburgo em campo. Ainda tivemos um
pênalti não marcado em Barcos. “Tava” braba a coisa.
“O Grêmio com tanta chance assim e você diz que não estava
jogando nada? Que chato!”
Sim, sou. Mas, pelo menos, não sou um fanático abestalhado,
como tantos que hoje existem em nossa grande torcida.
No intervalo, Renato arrumou o time e aí sim o Grêmio jogou
bola. O tricolor (o nosso) voltou marcando muito e – mais uma vez – Alex Telles
era o melhor em campo. O 1º gol saiu de um cruzamento perfeito dele. O
estreante Riveros (ótimo jogador) marcou de cabeça. Apesar de levar uma bola na
trave, o Grêmio era o dono do jogo e fechou o placar com Kléber Gladiador, após
excelente lançamento de Ramiro. Fim de papo. Ótima vitória e Portaluppi 100% na
Arena.
Riveros faz o primeiro
O próximo jogo é quarta-feira contra o Corinthians, em São Paulo.
Uma ótima oportunidade para ganhar a primeira partida fora de casa depois de
quatro meses. Acredite, SÃO QUATRO MESES SEM GANHAR FORA DE CASA! Ah,
Luxemburgo.
Mazarópi, Paulo Roberto, Baideck, De León e Casemiro;
China, Osvaldo e Tita; Renato, Caio e Tarciso.
Sozinho, aprendi a escalar esse time.
Na verdade, aprendi de tanto escutar o vinil da campanha da
Libertadores de 1983, que herdei do meu pai. O escutava – junto com o vinil doGauchão de 1979 – quase todo dia. Na capa, a foto do time campeão.
Naquele meu universo de uma criança gremista de 9, 10 anos;
quando estava lá acompanhando os jogos do título do Grêmio, o meu ídolo era o
Caio. Achava o Renato, por exemplo, meio abobado. Também não gostava do Osvaldo
e do China (sempre achei um panaca). Contudo, achava sensacional uma dupla de
zaga com os nomes de Baideck e De León. Tarciso era outro que eu gostava. Hoje, sou grato a todos. Me
emocionava escutando aquele disco.
O capitão.
Um compilado de declarações, entrevistas e gols, na voz da –
a época – melhor equipe de esportes do Rio Grande do Sul: a rádio Guaíba.
Foi ali que conheci a inconfundível voz de Armindo Antônio Ranzolin e o marcante
vozeirão de Milton Ferreti Jung. Lauro Quadros nos comentários. Lupi Martins
(irmão do Lasier, que também era comentarista) e João Carlos Belmonte na beira
do campo. Como era bom escutar aquilo.
“GOL, GOL, GOL!”, berrava Milton Jung. “EU PEDI QUE
ACREDITASSEM... EU NUNCA DEIXEI DE ACREDITAR”, Ranzolin me emocionava. Que
espetáculo. Naqueles momentos, eu me enchia de orgulho e entendia que o meu
time era campeão da América.
Eu não posso falar da tática do jogo porquê eu não vi. Mas
posso dizer que, até hoje, os meus olhos se enchem de lágrimas quando escuto – ou
vejo – os gols de Caio e César, a defesa do Mazarópi contra o América de Cali e
o jogo contra o Estudiantes, na Argentina. Era uma Libertadores que o Grêmio
tinha que vencer e , nada melhor do que vencê-la em cima do tradicional Peñarol.
Gol do título.
Alguns anos depois, eu via pela TV o tricolor ser bicampeão da América. Foi lindo! Espetacular. Afinal de contas, eu agora tinha 11 anos e
não os poucos meses de 83 e entendia o que estava acontecendo. Mas devo
confessar: não foi mais emocionante do que quando eu abria a vitrola, deitava
no chão da sala, pegava a capa do vinil e ficava escutando a primeira
conquista.
Quando estou irritado
com o time, lembro desse momento, acendo um cigarro e penso:
Hoje, aconteciam duas estreias importantes na história do
Grêmio. Uma, em 1920. Outra, em 1980. Eurico Lara e Renato Portaluppi,
respectivamente. Lara está no nosso lindo hino composto pelo brilhante Lupicínio Rodrigues. Particularmente, e, me desculpem os mais tradicionais, acho que o Danrlei foi o maior
goleiro da história do Grêmio. Contudo, é aquela coisa, eu não assisti o Lara
jogar. Não posso falar muito. Aliás, eu tenho a impressão que ninguém
assistiu o cara em campo. É uma lenda que se tornou realidade e ganhou
idolatria.
Consta nos autos que, em 1935, Lara, já doente de tuberculose
e sem condições de jogar futebol, resolveu que ia entrar em campo para disputar
um Grenal válido pelo campeonato portoalegrense daquele ano, chamado “Campeonato
Farroupilha”. O Grêmio precisava vencer para ser campeão e, com magnífica
atuação de Lara, venceu. Um esforço absurdo para ajudar o time em que jogava. O goleiro
saiu no intervalo e foi direto para o hospital. Dois meses depois, morria.
Embora esse seja o fato correto e verdadeiro, muitos preferem a história que
ele pegou um pênalti e morreu em campo, com a bola incrustada em seu peito. A verdadeira ou a falsa? Não importa. São duas
grandes históriasque fazem jus ao gremismo de Eurico Lara.
Lara
Renato Portaluppi? Maior ídolo tricolor. Ponta direita
rápido, louco, boêmio, habilidoso e goleador. Surgiu em 1980, quando o
aniversariante do dia, o jornalista Paulo Sant’Ana, enchia o saco das pessoas em
seus espaços na mídia, para que chegassem mais cedo aos jogos do time e
assistissem os juniores fazendo as preliminares. Ali, segundo Santa’Ana, na
ponta direita, estava o futuro ídolo tricolor. Ele estava certo.
Maior ídolo da história do Grêmio
Foi em 1983 que Renato consolidou-se como ídolo. Peça
fundamental para as conquistas da Libertadores e do Mundial Interclubes. Ídolo.
No clube, não há ninguém maior do que ele. Mas Renato nunca primou pela simpatia, digamos assim. Alguns chamam de timidez. Saiu do Grêmio para jogar no
Flamengo e, voltou em 91 para uma passagem horrorosa e, depois, para um jogo na Copa dos Campeões de 1995.
Rei do Rio, “já peguei mais de 5 mil mulheres”, gol de barriga e Carol
Portaluppi. Essas são algumas associações que as pessoas fazem ao lembrar
de Renato Portaluppi. Eu gosto da associação de que, sempre que pode,
declara-se gremista. Mas é de fato? Pessoalmente, gosto do Renato. Como
jogador? ÍDOLO. Como treinador (treinou o Grêmio em 2010 e fez excelente
campanha no segundo turno do Campeonato Brasileiro)? Acho péssimo. Mas gosto de
ver como o cara comanda o Grêmio com raça e vontade. Voltando ao ponto, ele é gremista
mesmo?Se fosse, mesmo não se dando
bem com o presidente a época, Paulo Odone, teria ido a Porto Alegre para a
inauguração da Arena. Não teria cobrado cachê para isso. Todos os ídolos estavam lá. Menos ele. Babaquice.
E, fundamentalmente, se não fosse um embuste como gremista, não teria falado
isso.
Sempre foi craque. E não tinha medo de adversário. O que falta hoje em dia.
Mas enfim, é ídolo. Mais do que qualquer um foi ou será.
Torcedor? Não me venha com essa. A filha é mais do que ele. E olha que ela nem é tanto assim.